Mesa de bar!
Nela nasce e morre tudo;
A mais sábia do mundo;
Paciente, voraz e "mudo";
Aguenta tudo, bêbado, limpo, imundo;
Crianças, jovens, carecas, cabeludos;
A melhor das analistas;
A mais ética e masoquista;
Apanha, "inda" sim conquista;
Ela nunca. Desista!
Não há, quem resista!.
A mesa é um'artista!
Suporta o frio, a pressão e a dor;
Suporta o choro de todo amor;
Ajuda os ébrios a se recompor;
Dá os ombros, não é um horror?
Ouve romances noite adentrar;
Nos olha sempre com mesmo olhar;
É amiga de todos, sem distinção;
Só há um momento de distração;
O pano que traça seu coração;
Do garçom ligeiro que passa em vão;
Às vezes chora no derramar;
Das cervejas geladas, já quent'a pensar;
Explica-me tudo, cada vez que vou lá;
Ah, essa mesa de bar!
Depois de tudo, vê tudo acabar;
De quatro, fica de duas a’andar;
Finda à noite.....no canto do bar.
CAMPOS, Charles. Pensamentos Lobotômicos. 2001.
Nela nasce e morre tudo;
A mais sábia do mundo;
Paciente, voraz e "mudo";
Aguenta tudo, bêbado, limpo, imundo;
Crianças, jovens, carecas, cabeludos;
A melhor das analistas;
A mais ética e masoquista;
Apanha, "inda" sim conquista;
Ela nunca. Desista!
Não há, quem resista!.
A mesa é um'artista!
Suporta o frio, a pressão e a dor;
Suporta o choro de todo amor;
Ajuda os ébrios a se recompor;
Dá os ombros, não é um horror?
Ouve romances noite adentrar;
Nos olha sempre com mesmo olhar;
É amiga de todos, sem distinção;
Só há um momento de distração;
O pano que traça seu coração;
Do garçom ligeiro que passa em vão;
Às vezes chora no derramar;
Das cervejas geladas, já quent'a pensar;
Explica-me tudo, cada vez que vou lá;
Ah, essa mesa de bar!
Depois de tudo, vê tudo acabar;
De quatro, fica de duas a’andar;
Finda à noite.....no canto do bar.
CAMPOS, Charles. Pensamentos Lobotômicos. 2001.
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