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Mostrando postagens de dezembro, 2017

Do Embrião à Nova Vida

Do Embrião à Nova Vida Quando, animal,  nasci, Percebi que aquela luz me era estranha. Ouvi vozes, que jamais tinha ouvido. Perguntei-me em silêncio e no vazio: Que seres eram aqueles? Mas nada me foi dito. Só sorrisos sobreditos, Sem nem sequer sabia ouvir! E minha vista? Embaçada. Nem via o que me esperava. Além do ódio, mentiras e todo o mal. Chorei, pois acreditava, que bastava eu refletir; Que pra dentro retornava. Pra o local donde nasci. Saí de um mundo escuro, ignorado, mas consciente e abraçado, Para, então, vir, bem de repente, Pra um mundo louco e desgastado. Que sequer meu corpo sente. Melhor? Seria engraçado. Mas segui sempre em frente, Não me tem outra opção? Da sensação cognoscente, Que não fosse ilusão? A realidade é tão vertente. Que meus pés tão pelas mãos. Vi que o caos estava perto; E longe o vi ao mesmo tempo. Pensei que era um sonho incerto, Sem memórias, e sem tormentos. Mas era a vida, de tão bela, Sabedoria e de dissenso...

Mesa de bar!

Mesa de bar! Nela nasce e morre tudo; A mais sábia do mundo; Paciente, voraz e "mudo"; Aguenta tudo, bêbado, limpo, imundo; Crianças, jovens, carecas, cabeludos; A melhor das analistas; A mais ética e masoquista; Apanha, "inda" sim conquista; Ela nunca. Desista! Não há, quem resista!.  A mesa é um'artista!  Suporta o frio, a pressão e a dor; Suporta o choro de todo amor; Ajuda os ébrios a se recompor; Dá os ombros, não é um horror? Ouve romances noite adentrar; Nos olha sempre com mesmo olhar; É amiga de todos, sem distinção; Só há um momento de distração; O pano que traça seu coração; Do garçom ligeiro que passa em vão; Às vezes chora no derramar; Das cervejas geladas, já quent'a pensar; Explica-me tudo, cada vez que vou lá; Ah, essa mesa de bar! Depois de tudo, vê tudo acabar; De quatro, fica de duas a’andar; Finda à noite.....no canto do bar. CAMPOS, Charles. Pensamentos Lobotômicos. 2001.